O fatiador (slicer, em inglês) é o programa que faz a ponte entre um modelo 3D e a impressora: pega um arquivo como STL ou 3MF e transforma ele numa sequência de instruções que a impressora consegue realmente executar, camada por camada. É provavelmente o software mais importante em todo o processo de impressão 3D, porque é ele quem decide, na prática, se uma peça vai sair boa ou não.
O que ele faz, na prática
O nome fatiador vem exatamente do que o programa faz: ele corta o modelo 3D em fatias horizontais finas, uma pra cada camada da impressão, e calcula o caminho exato que o bico vai percorrer em cada uma delas. O resultado final é um arquivo de G-code, a receita com comandos de posição, temperatura e velocidade que a impressora lê linha por linha durante a impressão.
O que compõe cada camada
Dentro de cada fatia, o fatiador ainda divide o trabalho em partes diferentes. Os perímetros (ou paredes) são os contornos externos e internos da peça, responsáveis pela aparência e boa parte da resistência. As camadas de topo e base são regiões totalmente preenchidas logo no início e no fim da peça, pra fechar a superfície. E o preenchimento (infill) ocupa o miolo, com a densidade e o padrão que você escolher. O fatiador calcula tudo isso automaticamente a partir de só alguns números que você ajusta.
Os três tipos de perfil
A maioria dos fatiadores modernos organiza as configurações em três perfis separados, que se combinam na hora de gerar o G-code: o perfil da impressora (tamanho da mesa, tipo de bico, se é bowden ou direct drive), o perfil do filamento (temperaturas, retração, resfriamento, específicos daquele material e às vezes até daquela marca) e o perfil de impressão (altura de camada, preenchimento, suporte, velocidade). Separar dessa forma permite trocar só o material ou só a impressora sem precisar reconfigurar tudo de novo do zero.
Principais fatiadores do mercado
Existem vários fatiadores disponíveis, a maioria gratuita e boa parte deles com uma origem em comum: o Slic3r, um projeto aberto antigo, deu origem ao PrusaSlicer, que por sua vez foi a base pro SuperSlicer e pro OrcaSlicer, cada um com seu próprio conjunto de recursos extras. O Cura, da Ultimaker, é outro clássico bastante usado, com uma linhagem independente. Fabricantes como a Bambu Lab têm seus próprios fatiadores, como o Bambu Studio, que também é baseado no OrcaSlicer, otimizados especificamente pras suas impressoras, incluindo recursos como troca automática de cor com o AMS. A maioria desses programas funciona com qualquer impressora, mesmo as de outras marcas, bastando configurar o perfil certo.
Modo simples ou modo avançado
Praticamente todo fatiador oferece pelo menos dois níveis de interface: um modo simples, com poucos ajustes visíveis e perfis prontos pra usar, e um modo avançado, que libera centenas de configurações detalhadas, desde o comportamento exato da retração até ajustes finos de cada perímetro. Quem está começando costuma ficar bem no modo simples por um bom tempo; o modo avançado entra em cena quando é preciso resolver um problema específico que os perfis prontos não cobrem.
G-code inicial e final personalizado
Outro recurso avançado é a possibilidade de editar o G-code inicial e final que envolve a impressão, os comandos executados antes da primeira camada e depois da última. É ali que costuma ficar, por exemplo, uma rotina de nivelamento automático, um desenho de purga do bico antes de começar, ou o comando pra desligar a mesa aquecida e mover o bico pra longe da peça no final.
As decisões que você toma no fatiador
É no fatiador que ficam praticamente todas as decisões que afetam o resultado final da peça: a altura de camada, a velocidade de impressão, as temperaturas de bico e mesa, o preenchimento, se vai ter suporte ou não, e recursos de adesão como brim e raft. Cada um desses ajustes tem seu próprio post aqui na wiki.
A prévia antes de imprimir
Antes de gerar o G-code final, o fatiador mostra uma prévia de como a peça vai ficar: tempo estimado de impressão, quantidade de filamento gasto, e uma visualização camada por camada de como o bico vai se mover. Vale lembrar que essas estimativas são aproximadas, já que fatores como a aceleração real da impressora e o desgaste dos componentes nem sempre são considerados com precisão. Ainda assim, vale sempre conferir essa prévia antes de mandar imprimir, principalmente pra pegar erros óbvios, como suporte faltando embaixo de uma parte flutuante.