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Preenchimento

O preenchimento (infill) é a estrutura interna de uma peça impressa em 3D, escondida embaixo das paredes externas. É ele quem define o quanto a peça pesa, quanto material e tempo a impressão gasta, e boa parte da resistência mecânica final.

Densidade de preenchimento

A densidade é a porcentagem do miolo da peça que é preenchida com material, de 0% (oco por dentro, só a casca) a 100% (sólido). Densidades baixas, entre 10% e 20%, são suficientes pra peças decorativas ou protótipos visuais, que não vão sofrer esforço. Densidades médias, entre 20% e 40%, atendem bem peças funcionais do dia a dia. Peças que vão sofrer muito estresse mecânico podem pedir densidades ainda maiores, embora 100% raramente valha a pena: o ganho de resistência não compensa o tempo e material extra gastos, e geralmente é melhor aumentar o número de perímetros do que a densidade de preenchimento.

Padrões de preenchimento: um panorama mais completo

Fatiadores modernos, como o Bambu Studio e o OrcaSlicer, oferecem mais de vinte padrões diferentes de preenchimento, não só os quatro ou cinco mais conhecidos. Vale organizar eles em grupos, de acordo com o que cada um prioriza.

Padrões rápidos e simples (2D)

Formados por linhas retas, geralmente os mais rápidos de fatiar e imprimir, mas com resistência desigual entre as direções:

  • Retilíneo (rectilinear) e Line: linhas paralelas espaçadas conforme a densidade. Rápidos, mas com resistência baixa no sentido vertical (Z).

  • Zig zag: uma versão mais consistente do retilíneo entre camadas, hoje recomendado no lugar dele na maioria dos fatiadores.

  • Grade (grid): duas camadas de linhas perpendiculares sobrepostas, formando uma grade. Boa resistência nas duas direções horizontais.

  • Triângulos e tri-hexágono: baseados em triângulos, com uma rotação leve entre camadas pra distribuir a resistência de forma mais uniforme no plano horizontal.

Padrões 3D isotrópicos (resistência em todas as direções)

Esses padrões se estendem também no eixo vertical, entregando uma resistência mais parecida em qualquer direção que a peça for empurrada:

  • Cúbico (cubic), cúbico adaptativo e quarter cubic: cubos empilhados na diagonal; a versão adaptativa fica mais densa perto das paredes e mais vazada no centro, economizando material em peças grandes.

  • Giroide (gyroid): uma superfície matemática contínua, com resistência bem equilibrada em qualquer direção. É um dos padrões mais usados hoje por esse equilíbrio entre força, peso e velocidade.

  • Cross hatch: parecido com o giroide, mas com um traçado mais simples de calcular, o que fatia mais rápido.

  • TPMS-D e TPMS-FK: superfícies matemáticas ainda mais avançadas (sigla em inglês pra "superfície mínima triplamente periódica"), com resistência isotrópica parecida com a do giroide.

  • Colmeia (honeycomb) e 3D honeycomb: hexágonos, um padrão clássico de engenharia com ótima resistência, mas que gasta bem mais material e tempo de impressão do que os outros dessa lista.

Padrões econômicos (menos material e tempo)

  • Lightning: só cria suporte embaixo de superfícies de topo, como uma árvore de galhos finos, gastando bem menos material. Ideal pra peças majoritariamente decorativas.

  • Support cubic: uma variação pensada pra ficar embaixo de camadas de suporte, com o mínimo de material necessário.

Padrões estéticos e especiais

Usados menos pela resistência e mais pela aparência, principalmente em peças com paredes translúcidas ou finas onde o preenchimento aparece por fora:

  • Concêntrico (concentric): contornos paralelos que seguem o formato externo da peça, cada vez menores. Costuma ser a melhor opção pra preenchimento 100% ou peças flexíveis.

  • Hilbert curve, Archimedean chords e octagram spiral: padrões mais decorativos, com baixa resistência e tempo de impressão alto, usados principalmente pelo efeito visual quando o preenchimento fica visível através do material.

Como escolher

Na prática, densidade importa mais do que o padrão escolhido pra maioria dos casos: uma peça com 20% de preenchimento em grade e uma com 20% em giroide não são tão diferentes assim em resistência geral. O padrão faz mais diferença quando a peça vai sofrer força numa direção específica, aí um padrão 3D isotrópico como giroide ou cúbico ganha, quando o objetivo é economizar material ao máximo, caso do lightning, ou quando o efeito visual do preenchimento importa, caso dos padrões concêntrico e estéticos.

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