O G-code é a linguagem que a impressora realmente entende. Depois que o fatiador termina o trabalho dele, é um arquivo de G-code que sai do outro lado: uma lista enorme de comandos simples, um por linha, que a impressora executa em sequência até a peça ficar pronta.
De onde vem
O G-code não nasceu pra impressão 3D. É uma linguagem bem mais antiga, criada originalmente pra controlar máquinas CNC, como tornos e fresadoras computadorizados. As impressoras 3D adotaram o mesmo formato, com algumas extensões próprias, porque o problema de fundo é parecido: mover uma ferramenta com precisão em X, Y e Z.
Como um comando é montado
Cada linha de G-code começa com uma letra que indica o tipo de comando, seguida de um número, e depois parâmetros. Os comandos G controlam movimento e posicionamento, como o G1 pra mover, enquanto os comandos M controlam funções diversas da máquina, como ligar o aquecimento ou a ventoinha. Depois da letra e do número do comando, vêm os parâmetros: X, Y e Z pra posição, E pra quanto filamento extrudar, e F pra velocidade.
Comandos comuns que você pode encontrar
G0 / G1: move a impressora até uma posição. G0 é um movimento rápido sem extrusão, G1 move extrudando ao mesmo tempo.
G28: manda a impressora fazer o homing, indo até os sensores de fim de curso pra encontrar sua posição de referência.
G29: inicia o nivelamento automático da mesa, em impressoras que têm esse sensor.
M104 / M109: define a temperatura do hotend. M104 manda esquentar e segue o resto do código; M109 espera a temperatura ser atingida antes de continuar.
M140 / M190: a mesma lógica, só que pra temperatura da mesa.
M106 / M107: liga (M106) ou desliga (M107) a ventoinha de resfriamento da peça.
Você não precisa escrever, mas ajuda entender
No dia a dia, ninguém escreve G-code na mão, o fatiador faz isso automaticamente. Mas entender o básico ajuda bastante em duas situações: personalizar o G-code inicial e final no fatiador, pra adicionar uma rotina de purga, por exemplo, e diagnosticar problemas abrindo o arquivo gerado pra ver se alguma configuração saiu diferente do esperado.
Nem toda impressora fala o mesmo dialeto
Apesar de ser um padrão, cada firmware de impressora, como Marlin ou Klipper, interpreta alguns comandos de um jeito ligeiramente diferente, e suporta comandos extras que outros não têm. Por isso o perfil da impressora escolhido no fatiador importa tanto: ele garante que o G-code gerado use os comandos certos pra aquele firmware específico.
