A pintura é a etapa que dá cor e acabamento final a uma peça impressa, seja pra realçar detalhes, esconder as linhas de camada que sobraram do lixamento, ou simplesmente deixar a peça com cara de produto pronto.
Tipos de primer e o que cada um resolve
Primer filler (preenchedor): mais grosso, ajuda a preencher marcas finas de camada que o lixamento sozinho não resolveu. É a escolha certa quando ainda sobrou alguma textura visível na peça.
Primer sandable (lixável): pensado pra ser aplicado, seco, e depois lixado levemente antes da cor, o que dá um acabamento ainda mais uniforme em peças que precisam ficar impecáveis.
Promotor de aderência: não é bem um primer de cor, mas uma camada transparente que ajuda a tinta a grudar em superfícies naturalmente mais lisas e escorregadias, como o PETG.
Na maioria dos casos, duas demãos finas de primer, com um intervalo de secagem entre elas, já preparam bem a superfície.
Tipos de tinta por material
PLA: aceita bem praticamente qualquer tinta acrílica ou spray comum. O único cuidado é evitar tintas ou vernizes muito quentes durante a aplicação, como lacas que exigem calor, já que o PLA amolece numa temperatura relativamente baixa.
ABS: tem ótima aderência com a maioria das tintas, incluindo esmaltes em spray e tintas automotivas, e também pode passar pelo banho de acetona antes da pintura pra ganhar uma base ainda mais lisa.
PETG: aceita tinta bem, mas costuma precisar de uma lixada mais cuidadosa antes, ou de um promotor de aderência, já que a superfície naturalmente mais lisa e brilhante do PETG dá menos ponto de aderência pra tinta grudar.
Tintas acrílicas à base de água são uma escolha segura na maioria dos casos: são de baixo odor, seguras pra uso interno e secam rápido, o que ajuda bastante em peças com várias demãos.
Spray, pincel ou aerógrafo
Spray (lata): mais rápido e uniforme pra peças inteiras, ideal pra quem está começando. Exige distância e movimento constante pra não escorrer.
Pincel: melhor pra detalhes pequenos, contrastes e acabamentos localizados, mas mais difícil de deixar uniforme em áreas grandes.
Aerógrafo: dá o controle mais fino de todos, com camadas bem finas e transições suaves de cor, mas exige equipamento (compressor de ar) e mais prática pra dominar.
Passo a passo completo
Lixe a peça (veja o post sobre lixamento) até a superfície ficar uniforme.
Limpe qualquer poeira de lixa com um pano seco ou levemente úmido, e deixe secar por completo.
Aplique duas demãos finas de primer, respeitando o tempo de secagem entre elas (geralmente 15 a 30 minutos por demão, variando por produto e temperatura ambiente).
Lixe levemente o primer seco com uma lixa bem fina (400 ou mais), se quiser um acabamento ainda mais liso.
Se a peça tem mais de uma cor, use fita de pintor pra mascarar as áreas que não devem receber a próxima cor.
Aplique a cor em demãos finas, ao invés de uma camada grossa só, pra evitar escorrimento. Espere secar entre demãos.
Se quiser, finalize com um verniz fosco, acetinado ou brilhante, pra proteger a pintura e uniformizar o acabamento.
Deixe curar por completo antes de manusear a peça com força: a tinta pode parecer seca ao toque bem antes de estar totalmente curada e resistente.
Erros mais comuns
Pintar sem primer: a tinta pode até grudar, mas fica mais fácil de descascar e realça qualquer imperfeição da superfície.
Demãos grossas demais: tinta em excesso escorre, forma bolhas e demora muito mais pra secar por completo. Demãos finas e várias camadas dão um resultado melhor do que uma camada só grossa.
Não respeitar o tempo de secagem: aplicar uma camada nova antes da anterior secar por completo pode borrar a pintura ou criar rachaduras conforme seca.
Pintar em ambiente frio ou muito úmido: tinta demora muito mais pra secar e pode ficar fosca ou leitosa em vez de uniforme, principalmente com sprays.