O banho de acetona (ou vapor smoothing) é uma técnica de acabamento que usa vapor de acetona pra dissolver levemente a superfície da peça, apagando as linhas de camada e deixando um acabamento liso e brilhante, parecido com peça injetada.
Só funciona em alguns materiais
A acetona dissolve especificamente o ABS e o ASA, já que ambos são baseados em plásticos estirênicos que reagem bem ao solvente. PLA e PETG não reagem com acetona da mesma forma, então essa técnica simplesmente não funciona neles, mesmo tentando. Vale não confundir com a remoção de suporte solúvel: o HIPS usado como material de suporte se dissolve em limoneno, um solvente diferente, não em acetona.
Como o processo funciona
A peça fica exposta a vapor de acetona dentro de um recipiente fechado. O vapor entra em contato com a superfície, dissolvendo uma camada bem fina de plástico. Ao evaporar, essa camada se re-solidifica lisa, preenchendo os vãos entre as linhas de camada.
Vapor frio ou vapor quente
Método a frio (cold soak): a acetona fica em temperatura ambiente no fundo do recipiente, sem aquecimento nenhum. É mais lento, o processo pode levar de algumas horas a um dia inteiro, mas é mais fácil de controlar e menos arriscado, já que não envolve fonte de calor perto de um líquido inflamável.
Método a quente (vapor bath): uma fonte de calor controlada (geralmente uma manta térmica ou banho-maria por fora do recipiente, nunca chama direta) aquece a acetona e acelera bastante a evaporação. O processo fica pronto em poucos minutos, mas exige controle de temperatura mais rigoroso e cuidado redobrado com segurança, já que acetona aquecida evapora e se acumula mais rápido.
Pra quem está começando, o método a frio é o mais indicado: mais lento, mas com muito mais margem pra erro.
Cuidados de segurança, sem exceção
A acetona é altamente inflamável, com ponto de fulgor de -20°C, ou seja, pode pegar fogo em qualquer temperatura de ambiente comum. Os cuidados abaixo não são opcionais:
Ambiente ventilado, longe de qualquer fonte de fogo ou faísca: nunca faça o processo perto de fogão, tomada exposta ou qualquer chama, e nunca use fonte de calor direta (fogão, maçarico) pra esquentar a acetona no método a quente.
Recipiente adequado: use vidro ou aço inoxidável, nunca plástico comum. A acetona dissolve vários plásticos, então um recipiente errado pode literalmente derreter ou vazar durante o processo.
Proteção pessoal: luvas resistentes a solvente, óculos de proteção e, idealmente, um respirador com filtro pra vapores orgânicos, já que a inalação prolongada é nociva.
Pouca quantidade de acetona: o processo usa o vapor, não a peça mergulhada no líquido. Uma camada fina no fundo do recipiente já é suficiente.
Nunca deixe o recipiente sem supervisão enquanto aquecido.
Passo a passo básico (método a frio)
Coloque uma camada fina de acetona no fundo de um recipiente de vidro ou inox com tampa.
Suspenda a peça dentro do recipiente, sem encostar no líquido, geralmente presa numa haste ou plataforma elevada.
Feche o recipiente e deixe agir, verificando o progresso a cada algumas horas.
Retire a peça e deixe ela ventilar num espaço aberto até o cheiro de acetona sumir por completo e a superfície endurecer de novo, o que pode levar várias horas.
O tempo exato varia bastante de peça pra peça: superfícies muito lisas podem ficar prontas mais rápido, enquanto peças com detalhes finos pedem mais paciência e checagens frequentes pra não perder definição.
O que evitar
Tempo demais de exposição ao vapor pode derreter detalhes finos da peça, arredondar cantos que deveriam ser retos, ou até deformar a peça inteira se o vapor for concentrado demais. Vale sempre começar com pouco tempo de exposição e ir checando o resultado aos poucos, ao invés de arriscar deixar a peça exposta por muito tempo de uma vez, principalmente no método a quente, onde o processo é bem mais rápido e o excesso acontece mais fácil.
