O bico (ou nozzle) é a ponta metálica onde o plástico derretido sai da impressora e é depositado, camada por camada, até virar a peça final. É uma peça pequena, mas que influencia diretamente a velocidade, o detalhe e até os materiais que dá pra imprimir.
Diâmetro do bico
O diâmetro mais comum é 0,4 mm, um bom equilíbrio entre velocidade e detalhe pra maioria das peças. Bicos maiores, como 0,6 mm ou 0,8 mm, depositam mais plástico de uma vez, imprimindo mais rápido e com mais resistência, mas com menos detalhe fino. Bicos menores, como 0,2 mm ou 0,25 mm, fazem o oposto: mais detalhe e precisão, só que a impressão fica bem mais lenta.

Tipos de bico: vantagens e desvantagens
Não existe um bico perfeito pra tudo: cada material de bico troca condutividade térmica por resistência ao desgaste. Vale conhecer as opções mais comuns:
Latão: conduz calor muito bem, o que ajuda o plástico a derreter de forma uniforme e permite imprimir mais rápido. É barato e fácil de encontrar. A desvantagem é o desgaste: filamentos abrasivos, como os com fibra de carbono, fibra de vidro, glitter ou glow-in-the-dark, alargam o furo de saída rapidamente, perdendo precisão aos poucos. Ideal pra quem imprime só materiais básicos, como PLA, PETG e ABS sem aditivos.
Aço inoxidável: bem mais resistente à corrosão e ao desgaste do que o latão. A desvantagem é conduzir calor pior, o que pode exigir temperaturas um pouco mais altas ou impressão mais lenta pra manter a mesma qualidade de derretimento.
Aço endurecido (hardened steel): o mais resistente ao desgaste entre os três, feito especificamente pra aguentar filamentos bem abrasivos por muito mais tempo sem perder o diâmetro original. É a escolha certa pra quem imprime fibra de carbono, fibra de vidro ou filamentos com metal com frequência. A desvantagem é a pior condutividade térmica de todas, o que pode limitar um pouco a velocidade máxima de impressão.
Ponta de rubi: um bico de latão com uma pastilha de rubi sintético na ponta, unindo a boa condutividade térmica do latão com a dureza quase indestrutível do rubi no ponto de maior desgaste. É a opção mais durável de todas, mas também a mais cara, geralmente reservada pra quem imprime materiais abrasivos com muita frequência.
Vale reforçar um ponto importante: hoje em dia a maioria dos fabricantes já entrega suas impressoras de fábrica com bicos de aço inoxidável ou aço endurecido, e não mais de latão puro como era mais comum há alguns anos. Isso significa que boa parte de quem compra uma impressora nova já começa com um bico relativamente resistente a materiais abrasivos, e só precisa pensar em trocar pra latão (pra imprimir mais rápido com materiais básicos) ou pra rubi (pra durabilidade extrema) como upgrades opcionais, não como necessidade imediata.
Bicos de fluxo alto
Além do diâmetro da saída, o formato interno do bico também importa. Bicos de fluxo alto, sendo o exemplo mais conhecido o estilo Volcano, têm uma câmara de derretimento maior, o que permite derreter mais plástico por segundo. Combinados com um hotend compatível, eles permitem imprimir bem mais rápido sem perder qualidade, mas exigem mais potência de aquecimento.
Cuidados e troca
Bicos são peças de desgaste: com o tempo, principalmente com filamentos abrasivos, o furo de saída vai alargando e perdendo a forma, o que prejudica a precisão da impressão mesmo sem nenhum sinal óbvio de problema. Entupimentos parciais também são comuns, geralmente causados por sujeira, poeira grudada no filamento ou resíduos queimados. Uma agulha de limpeza própria pra bicos, nunca um objeto genérico que possa arranhar o furo, e trocar o bico periodicamente resolvem a maior parte dos problemas.
