Imprimir em mais de uma cor ou material na mesma peça não depende de uma impressora especial por dentro: depende de trocar o filamento em pontos específicos da impressão, seja de forma manual ou automática. As quatro marcas mais vendidas no Brasil resolvem isso com sistemas próprios, e existe ainda uma alternativa open source bem mais barata pra quem não quer pagar pelo acessório oficial.
Como funciona, na essência
O fatiador identifica em quais pontos da peça a cor ou o material deveria mudar (seja porque você pintou regiões diferentes no software, seja porque o modelo já veio dividido por partes) e insere comandos de troca no G-code. Cada troca envolve puxar o filamento antigo pra fora do caminho, carregar o novo, e purgar uma certa quantidade até o fluxo sair limpo da cor nova, descartando a mistura das duas cores no meio do caminho.
Bambu Lab: AMS
Existem hoje duas versões principais à venda no Brasil: o AMS Lite (linha A1), mais simples e aberto, sem controle de umidade, encontrado a partir de R$ 2.204,10; e o AMS 2 Pro, o modelo atual de geração mais nova, compatível com toda a linha, com secagem ativa (65°C) e suporte a até 7 materiais somando duas unidades, encontrado entre R$ 4.139,10 e R$ 4.659,00 dependendo da loja. O AMS original (a versão mais antiga, usada nos primeiros X1C e P1S) vem sendo gradualmente substituído pelo AMS 2 Pro nas lojas brasileiras. Cada unidade tem 4 encaixes de filamento, e até 4 unidades podem ser conectadas em conjunto, chegando a 16 cores numa impressão só. O desperdício de purga fica em torno de 2 a 5g por troca de cor.
Creality: CFS
O CFS (Color Filament System), disponível por enquanto só pra linha K2 Plus e Hi, custa entre R$ 2.998,00 e R$ 3.795,00 vendido separadamente, variando por loja. Segue uma lógica parecida com a da Bambu Lab: 4 encaixes por unidade, até 4 unidades pra 16 cores, leitura automática de filamentos com RFID, armazenamento com proteção contra umidade, e detecção de filamento acabando ou embolado, pausando a impressão automaticamente pra avisar. O CFS também permite usar um material solúvel de suporte numa das posições, sem precisar de outro acessório separado.
Anycubic: ACE Pro
O sistema ACE Pro (Anycubic Color Engine Pro), usado na linha Kobra 3, custa entre R$ 2.109,00 (versão pra Kobra 3 Max) e R$ 2.689,00 (versão pra Kobra 3), também com 4 encaixes por unidade, chegando a 8 cores com duas unidades combinadas. Um diferencial é a secagem ativa por ar quente (até 55°C) que continua funcionando mesmo durante a impressão, não só entre um uso e outro. O desperdício de purga fica um pouco mais alto que o da Bambu Lab, entre 3 e 8g por troca, já que a marca usa uma proporção de purga mais conservadora pra garantir uma transição de cor bem limpa.
FlashForge: IFS
O IFS (Intelligent Filament System), usado na AD5X, é integrado direto na estrutura da impressora, sem precisar de uma caixa externa separada como nas outras marcas, e por isso não é vendido como acessório avulso: o custo dele já está embutido no preço da impressora completa, que fica entre R$ 4.012,95 e R$ 4.851,00 nas lojas brasileiras, variando conforme a loja e se vem com case de fechamento incluso. Suporta impressão em 4 cores automaticamente, com troca de filamento gerenciada pelo próprio sistema.
BMCU: a alternativa open source
O BMCU (o modelo mais conhecido é o BLV/BIQU BMCU-370) é um projeto de hardware aberto, criado pela comunidade como alternativa mais barata ao AMS Lite, principalmente pra quem tem uma Bambu Lab A1, A1 Mini ou linha P1. Funciona com a mesma lógica de 4 encaixes de filamento e troca automática, mas sem o selo oficial da Bambu Lab: não tem RFID pra detectar filamento automaticamente, a integração depende de firmware e configuração feitos pela comunidade (não suporte oficial da fabricante), e a montagem pode ser mais trabalhosa dependendo da versão escolhida.
Em compensação, o preço é bem mais baixo: importado via AliExpress, uma unidade sai em torno de R$ 470 a R$ 500, já considerando frete e impostos, no Brasil pode ser achado com valores de R$ 700 a R$ 900, uma fração do valor do AMS Lite oficial. É uma opção que faz sentido pra quem já tem familiaridade com o hardware da própria impressora e não se importa em abrir mão do suporte oficial em troca de uma economia grande.
Sem sistema automático: troca manual
Impressoras com um extrusor só, sem nenhum dos sistemas acima, ainda conseguem imprimir multicor de um jeito mais trabalhoso, sem gastar nada em acessório: o fatiador insere um comando de troca de filamento (M600, no firmware Marlin) numa altura específica, pausando a impressão automaticamente. Nesse momento, você troca o filamento manualmente, extruda repetidamente até a cor antiga sumir por completo do fluxo (geralmente uns 10mm de cada vez, várias vezes seguidas, verificando a cor que sai), e retoma a impressão pelo menu da impressora. Funciona bem pra poucas trocas de cor num modelo simples, mas fica trabalhoso demais pra peças com muitas transições.
O desperdício de purga é normal, mas dá pra reduzir
Todo sistema de troca de filamento gera algum desperdício, já que a mistura das duas cores no bico precisa ser descartada antes do fluxo sair limpo. Reduzir o número de trocas de cor no design do modelo, agrupar cores parecidas quando possível, e ajustar o volume de purga no fatiador (sem exagerar pra baixo, o que deixa manchas da cor anterior) ajudam a manter o desperdício sob controle.
