Filamento é higroscópico: absorve umidade do ar aos poucos, mesmo dentro de casa. Um rolo úmido imprime pior de várias formas ao mesmo tempo, então armazenar e secar direito é um dos cuidados que mais afeta a qualidade das peças sem precisar mexer em nenhum ajuste do fatiador.
Por que a umidade atrapalha tanto
Quando o filamento úmido passa pelo bico quente, a água absorvida vira vapor instantaneamente, formando bolhas dentro do plástico derretido. O resultado costuma ser stringing em excesso, um chiado ou estalo audível saindo do bico, superfície com acabamento poroso ou fosco, e peças mecanicamente mais fracas, já que as bolhas enfraquecem a ligação entre as camadas.
Metas de umidade por material
PLA: o mais tolerante, aguenta até uns 35% de umidade relativa sem problema grave, embora abaixo de 20% já dê um resultado mais consistente.
PETG e TPU: mais sensíveis, o ideal é manter abaixo de 25%.
Nylon: o mais exigente de todos, precisa ficar abaixo de 15% pra imprimir bem, e absorve umidade rápido até durante o próprio processo de impressão se ficar exposto ao ar.
Um higrômetro pequeno, dos baratos que custam entre R$ 25 e R$ 40, dentro da caixa de armazenamento, é a forma mais direta de saber se a vedação está realmente funcionando, ao invés de confiar só no aspecto visual do rolo.
Métodos caseiros e baratos de manter a umidade baixa
Não precisa de equipamento caro pra manter o filamento seco no dia a dia. Dois itens simples, fáceis de achar em qualquer loja de utilidades domésticas, já resolvem bem:
Saco a vácuo com bomba manual: a opção mais barata de todas. Um kit com vários sacos reutilizáveis e uma bomba manual de sucção sai entre R$ 15,90 e R$ 37,00 avulsa, ou em torno de R$ 60,00 num kit completo com uma dúzia de sacos. Basta colocar o rolo dentro do saco junto com um sachê de sílica, fechar a válvula, e bombear manualmente até tirar o ar. Funciona bem, mas exige um pouco de esforço físico e o vácuo tende a ser menos completo do que o de uma bomba elétrica.
Saco a vácuo com bomba elétrica: automatiza o mesmo processo, encostando a bomba na válvula do saco e apertando um botão. Custa mais caro, entre R$ 34,00 e R$ 152,00 dependendo do modelo (as versões bivolt ou recarregáveis por USB costumam ficar na faixa mais alta), mas puxa um vácuo mais forte e consistente, útil pra quem armazena vários rolos com frequência.
Sílica gel reutilizável (indicadora de cor): sachês ou potes de sílica gel com indicador (geralmente azul quando seca, rosa ou laranja quando saturada de umidade) custam entre R$ 19,00 e R$ 53,00, dependendo do tamanho do pacote. A grande vantagem é que ela não é descartável: quando a cor muda, indicando que já absorveu bastante umidade, basta reativar no forno, entre 90°C e 120°C por meia hora a algumas horas (o tempo varia conforme a quantidade), até a cor voltar ao normal. Isso permite reusar o mesmo sachê indefinidamente, sem precisar comprar um novo toda vez.
Combinando os dois (saco a vácuo, com bomba manual ou elétrica, mais um sachê de sílica dentro), dá pra manter um rolo parado por meses com uma umidade bem baixa, por uma fração do preço de uma secadora dedicada ou de um sistema de troca automática com secagem ativa.
Métodos de secagem
Secadora dedicada de filamento: a opção mais prática, com controle de temperatura e tempo prontos. No Brasil, os modelos Sunlu FilaDryer são os mais comuns: a versão S2 fica em torno de R$ 420,00, a S1 Plus em torno de R$ 661,00, e a S2 Box (com mais espaço e recursos) em torno de R$ 755,00.
Desidratador de alimentos: um desidratador comum de cozinha, dos usados pra secar frutas, funciona bem pra PLA, PETG e ABS, sendo uma alternativa mais barata pra quem já tem um em casa.
Sistemas de troca automática com secagem ativa: alguns dos acessórios de multicor também servem como secadora. O AMS 2 Pro da Bambu Lab seca por ventilação de ar quente até 65°C, e o AMS HT (pra materiais mais exigentes como Nylon e PC) chega a 85°C. O ACE Pro da Anycubic também tem secagem ativa a até 65°C, inclusive durante a própria impressão. Vale reforçar: o AMS Lite e o CFS da Creality só protegem contra umidade (armazenamento vedado), sem aquecimento ativo, então não substituem uma secagem de verdade quando o filamento já absorveu umidade.
Regra geral de tempo e temperatura
A regra prática é secar na temperatura mais alta que o material aguenta com segurança, pelo tempo que for necessário: exagerar no tempo não é problema, exagerar na temperatura é. Como ponto de partida:
PLA: 45°C a 55°C, por 6 a 8 horas.
PETG: geralmente um pouco mais quente, entre 55°C e 65°C, por um período parecido.
Nylon e outros materiais técnicos: exigem temperaturas mais altas, na faixa de 70°C a 85°C, e costumam precisar de mais tempo, várias horas ou até um ciclo noturno inteiro.
Sinais de que o filamento precisa secar
Estalos ou chiados vindos do bico durante a impressão, stringing que piorou sem nenhuma outra mudança de configuração, e uma superfície mais fosca ou porosa do que o normal pra aquele material são os sinais mais claros. Se o rolo ficou destampado por alguns dias, principalmente em ambiente úmido, vale secar antes de usar, mesmo sem sinal visível ainda.
